Não, este não é mais um texto para falar da imensa discussão entre os termos Logotipo e Logomarca.
Este é um texto para falar do que ocorre ao redor de discussões como essas e do que elas podem acarretar.
Nunca achei que algum dia tivesse vontade de escrever sobre este assunto, já que realmente sempre me coloquei, e ainda me coloco, de fora dessas discussões.
Mas novamente deparei com o tema: Logotipo ou Logomarca? Só que dessa vez foi tão extenso e intenso o papo, com poucas palavras aproveitadas, que resolvi falar um pouco sobre esse universo de debates entre os designers gráficos.
Discussões entre termos que podem ou não ser corretos; termos abrasileirados que alguns não gostam; termos que ainda são mantidos em inglês e, por isso, muitos não gostam. Essas questões vêm de longe, começando com o próprio nome da profissão: Design Gráfico.
Quando fiz faculdade, os cursos de design gráfico, raramente, se chamavam Faculdade de Design Gráfico, mas comunicação visual, programação visual, desenho industrial com habilitação em comunicação visual ou projeto do produto, e por aí vai.
Particularmente, sou contra estrangeirismos. Logo que me formei procurava me apresentar como acho que o nome da minha, nossa profissão, deveria se chamar no Brasil: “Márcia Okida, Comunicadora Visual”. Mas normalmente ouvia das pessoas: “Ah!, então você faz placas, painéis, letreiros?”. Então desisti e assumi: sou designer gráfico!
E aí vem outra discussão. Sendo mulher, ouvi: “Mas você é designer gráfico ou designer gráfica…? O certo, sendo mulher, é gráfica. Não, o certo é gráfico”. E por aí vai.
Termos técnicos em nossa profissão, e que hoje já possuem versão brasileira, também causam furor entre os que adoram uma discussão: layout ou leiaute; rought ou rafe; scanner/scannear ou escaner/escanear etc. E lógico, temos os campeões de audiência: logotipo x logomarca e tipografia x tipologia.
Não sou contra discussões e muito menos contra saber e conhecer os termos corretos. Para mim nada do que falei aqui é errado, a não ser “designer gráfica”. Sou designer gráfico!

Comprei dois livros esta semana, de design. Nos dois havia o termo logomarca. Os dois continham o termo tipologia. Entendi perfeitamente o que cada um quis dizer. E não vou achar o livro ou o autor ruim, fraco, e nem ele vai cair no meu conceito por isso. Ele transmitiu muito bem a mensagem. Existe o modo certo e hora certa para usar cada um e isso foi feito.
Como professora universitária ensino e falo os termos corretos. O correto, para mim, é logotipo, como para a maioria dos designers, mas não proíbo logomarca. Explico. Não causo polêmica nas aulas, e nem digo: “Se estou dizendo que logomarca é errado, eu estou certa e ponto-final”. Não acho que mesmo com meus mais de 22 anos de carreira, e estando na área universitária há mais de 12, seja mais certa do que os outros. Pelo contrário: aprendo sempre com os alunos.
O bom exercício da profissão é uma troca e deve ser baseado nesse bom entendimento e não nas infindáveis discussões entre egos e quem dá a última palavra.
Se existem manuais, guias, livros que usam, por exemplo, o termo logomarca, por que menosprezar as pessoas que os usam? Por que proibir? Vale lembrar que proibido é mais gostoso, certo?
Se uma pessoa, um profissional, prefere usar leiaute e outros termos abrasileirados, ele é menos designer que outro que usa tudo em inglês? Só porque ele fala “logomarca”, os logotipos dele são piores que os meus ou os seus?
Merecem ser menosprezados profissionalmente e o pior, às vezes, diminuídos como pessoas?
O grande problema que vejo em 99% das discussões entre designers é que 90% deles sempre estão com a razão e não admitem uma boa troca. Não admitem saber menos que outros. Não admitem que as coisas mudem e, com isso, novas palavras apareçam e sejam incluídas nos dicionários tendo seu valor oficial.
Escutei, ou melhor, li esses dias numa dessas discussões que uma palavra estar no dicionário não quer dizer que ela é correta!!! Não acreditei no que li. Pensando assim, os jornalistas, por exemplo, deveriam jogar fora os dicionários, já que é neles que se baseiam em caso de dúvidas.
Repito que 99% das últimas discussões que presenciei não levaram a qualquer conclusão. Serviram apenas de espelho do que cada um acha que é ou não é correto. Sugiro que saibamos, sim, os termos corretos, que os divulguemos, mas, acima de tudo, sugiro mais boa vontade, mais liberdade de interpretação, em respeito ao bom crescimento da profissão, seja ela de designer gráfico ou comunicador visual, que faça logotipos ou logomarcas, que escreva em português ou em inglês, mas que faça um bom design ou arte!
E essa é uma outra polêmica que fica para outra hora: design e arte.
Filme da vez: Meu nome não é Johnny
Música: Você não vale nada
Márcia Okida é designer gráfico, vice-presidente da Associação Cultural Vontade de Ver. Professora nos cursos de Produção Multimídia, Jornalismo e Publicidade & Propaganda; coordenadora de Produção Multimídia. Universidade Santa Cecília (UNISANTA). Visite seu blog E-mail: .(JavaScript must be enabled to view this email address)
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Ok. Tem esmagrecer no dicionario. E ai?
Voce mesma esta sendo o que voce diz que nao quer que os outros sejam; esta fechando a questao e sendo exagerada… Por exemplo no caso de dizer “Pensando assim, os jornalistas, por exemplo, deveriam jogar fora os dicionários, já que é neles que se baseiam em caso de dúvidas”. Afinal a questao nao eh essa…
Perfeito! Cansei de escutar discuções idiotas sobre termos que não levam a nada… e o pior ainda, cansei de ver nego zuando o outro por conta disso.
Eu concordo com a Márcia no momento em que ela diz que devemos respeitar a opinião e a maneira com que o profissional de designer se expressa através das palavras mas além de tudo isso ... é fundamental que ele tenha um conceito por trás do trabalho e não apenas a estética vazia com o direito e o super ego de se achar na razão para dizer palavras “erradas”...
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Afinal, qual a diferença entre marca, logo e logomarca. ótimo post.
20/01/2010 / 01:05 PM