Ricardo Martins

por Zupi

Se a tendência natural de alguns é renegar suas origens, o fotógrafo Ricardo Martins foge à regra. Natural de São José dos Campos, interior paulistano,  o jornalista viu, desde a infância, uma forma de decodificar o mundo da sua imaginação por meio da fotografia. Ele percorreu o Vale do Paraíba, região onde está localizada sua cidade natal, registrando as mais diversas paisagens e pessoas que encontrou pelo caminho. Ricardo Martins nos conta como foi essa experiência a seguir. Confira!

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Como surgiu seu interesse pela fotografia?

A fotografia me chama desde a infância. O meu pai é do Pantanal e me levava sempre para passar as férias na região. Via muita natureza e bichos, aquilo me fascinava, gostava da sensação de estar ali, me fazia muito bem e isso é o primeiro requisito para quem quer ser um fotografo de natureza. Ver tudo aquilo e depois só contar para as pessoas não bastava, eu precisava eternizar aqueles momentos, e ai entra a fotografia em minha vida: Guardo até hoje a Olympus Pen, uma máquina que meu pai tinha e que eu pegava-a “emprestada”. Com ela fiz minha primeira fotografia de bicho.

Você fez algum curso? Qual (is)?

Sou formado em jornalismo, pois era o curso que mais se aproximava da fotografia, mas nunca fiz um curso voltado para a área. Sempre aprendi tudo na base da curiosidade, do estudo teórico e prático. Quando criança fotografava com a mente, via luzes e formas no meio da mata e criava a fotografia, a máquina fotográfica me possibilitou mostrar o que ficava só minha cabeça.

No que você inspira e quem você quer inspirar?

Inspiro-me no mistério e na beleza que cercam uma onça pintada, nos raios de sol que delicadamente passam entre as folhas e pintam de amarelo o solo “magenta” da mata, na transparência e nas formas de uma gota d’água que cai com a chuva e banha a floresta. No pequenino sapo de 1,5cm que escala uma árvore com mais de 30m de altura e leva a vida até uma bromélia, onde se formaram pequenos berçários com as gotas daquela chuva que acariciaram o imenso ‘universo’ verde. Enfim, me inspiro em toda essa teia da vida que temos dentro de um planeta chamado Terra.

Quero inspirar principalmente as crianças, pois se bem formadas serão defensoras da floresta, ambiente de fundamental importância na existência e manutenção da vida humana.

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Qual a importância da sua região pra sua arte?

Moro em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, região muito explorada economicamente, mas que ainda tem algumas áreas de floresta preservada e muita história que fez parte da formação social, política e cultural do Brasil. Por isso, decidi fazer um livro chamado “A Riqueza de Um Vale”. Passei pela tradição de São Luiz do Paraitinga, pela nascente do rio Paraíba do Sul no topo da Serra da Bocaina, lugar onde achei uma curiosa ruína com arquitetura francesa chamada de “Casa de Pedra”, também vi e senti a fé de Aparecida e terminei em Bananal, nas Fazendas dos Barões do Café.

Mais do que uma experiência profissional, foi uma experiência de vida tanto para mim quanto para um jovem assistente de fotografia de 18 anos. Deslumbrávamos-nos em ver, ouvir e sentir na pele todo aquele contexto vivido nos primórdios da história de nosso país.

Explorei e desenvolvi técnicas que vinha estudando durante a viagem e para minha feliz surpresa esse livro me rendeu um prêmio Jabuti no ano de 2012, um belo presente que dividi com todos aqueles que moram, mas que não conhecem o rico e belo Vale do Paraíba.

Você se imagina fazendo outra coisa na vida?

Não, e acho que nem sei fazer outra coisa, nasci e vivi para isso e hoje agradeço por fazer parte desse mercado, onde tive que aprender a ser artista e empresário ao mesmo tempo, duas coisas completamente diferentes, porém uma não sobrevive sem a outra.

Qual é a mensagem que você quer passar pro apreciador da sua arte?

Procuro passar, através das minhas fotografias, a minha visão do que considero beleza artística e com isso mostrar lugares que a maioria não tem acesso, ou por falta de tempo ou por não saberem que existe. Quero que as pessoas façam uma viagem através de minhas fotografias e contemplem a leveza da natureza, quero que elas sintam a mesma emoção que eu quando, por exemplo, fotografei a montanha conhecida como “Prateleiras” no Parque Nacional do Itatiaia – RJ em uma noite de um céu estrelado, ou ainda o belo e feliz voo de uma arara Canindé ao norte do Tocantins, ou mesmo a explosão de vida que existe no Pantanal. Muita gente não conhece e para respeitar e criar uma consciência de preservação é preciso conhecer e esse é o meu maior objetivo – fomentar essa ideia.

 

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+ Informações do artista em ricardomartins.org

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