Pestmeester

por Suzanne Tanoue

Um Plague Doctor é um ícone peculiar e misterioso do passado: um especialista dedicado a tratar aqueles que tinham a Peste Negra (peste bubônica) no século 14. Quem também está cercado de mistério é o artista brasileiro Pestmeester (holandês para Plague Doctor), de 25 anos, que vem desafiando e provocando as pessoas por meio de seu trabalho excepcional.

Nasceu e mora em São José dos Campos, em São Paulo (embora já esteja com data certa para mudar-se definitivamente para a capital), e com arte na alma. Sua paixão floresceu quando teve contato com a street art. Desde então, não parou mais: as tintas na parede o levaram ao design gráfico e às agências de publicidade, onde ele percebeu que poderia fazer muito mais que anúncios – ele podia usar seu dom para dar vida às criaturas de sua mente e passar sua mensagem e de seus clientes através delas.

Batemos um papo com esse artista que tem tentado –  e conseguindo – viver somente de sua arte, encontrando inspiração não só em sua vida, mas também na morte. Confira!

941827_569565043066803_270782591_n

Como e quando surgiu seu interesse por arte?

É difícil definir realmente quando surgiu meu interesse por arte, me lembro desde pequeno sempre parando tudo e desenhando, inclusive na escola você podia facilmente me incluir como membro da turma do fundão, só que ao invés de só perturbar eu ficava desenhando em apostilas e cadernos, e isso não mudou nem nas tentativas de faculdade. No fim eu sempre tive interesse, e ele foi aumentando e se desenvolvendo com o passar dos anos a medida que eu ia conhecendo pessoas, artistas e técnicas, até me encontrar no meio e resolver me dedicar solenemente a isso, o que aconteceu não faz muito tempo.

2

31

28

16

Por que “Pestmeester”?
Pestmeester é a tradução holandesa para Plague Doctor, os antigos físicos e doutores da época da peste negra que com suas vestimentas e máscaras com bico manifestavam certo murmúrio, medo e até casos de hipocondria nos locais por onde passavam, eles eram os únicos permitidos pela igreja a fazerem autópsia, e apesar de termos conhecimento de grandes nomes que atuaram como Plague Doctors, a maioria tinha sua identidade desconhecida e eram considerados fantasmas e até criaturas místicas. E isso foi o que chamou minha atenção após a sugestão do nome por um amigo, eu tinha passado por uma série de tentativas frustradas em encontrar algo e estava pesquisando algo que caísse bem com a maturação que meu trabalho passava no momento como também perdurasse com o passar dos anos, uma personalidade focada no trabalho artístico para separar o pessoal do profissional e deixar um ar de mistério.

26

25

27

29

De onde vem sua inspiração?
Eu tento absorver tudo o que eu vejo pra adicionar no meu trabalho, tento sempre interpretar as coisas comuns de uma outra forma, mas minha base de inspiração vem de filmes trash oitentistas, street art, cryptozoologia, a fauna em geral e o obscuro e inexplicável. Tenho também como inspiração e motivação grandes artistas, que em sua maioria tiveram e ainda tem um papel importante no desenvolvimento do meu estilo e segmento.

21

22

23

24

Quais são as técnicas das quais você mais se utiliza?
Hoje em dia me baseio no papel, caneta e Photoshop. Passei muito tempo só fazendo trabalhos digitais em cima de esboços a lápis, mas realmente me encontrei na arte final manual, deixando menores ajustes e cores para a parte digital. Sempre que tenho um espaço procuro pintar, tanto com aquarelas e acrilicas como na rua com latas de spray.

17

18

19

20

Onde você gostaria de chegar com sua arte?
Meu foco principal é com o desenvolvimento de estampas para bandas e marcas, isso fez eu me apaixonar pela arte do silk-screen e suas possibilidades, principalmente pôsteres. Acompanho grandes artistas e sempre vejo os mesmos trabalhando com interpretações de filmes clássicos e grandes eventos com enormes pôsteres silkados, extremamente bonitos e limitados, E é lá que eu gostaria de chegar, não trabalhando exclusivamente com pôsteres, mas desenvolver o meu estilo, ser uma referência e ter a possibilidade de participar de exposições, eventos e trabalhar com mídias diversas, inclusive trabalhos editoriais.

1

3

4

5

6

Como tem sido a experiência de viver somente de arte?
Difícil, mas totalmente satisfatória. Viver do que se ama sempre trás satisfação, independente de lucros. Estou desde 2011 vivendo somente com arte, isso me abriu tempo para estudos e desenvolvimento pessoal, adoro meus clientes e eu não me vejo voltando a trabalhar em agências como designer, enfrentando rotinas e insatisfação. Nunca fui uma pessoa de padrões.

30

Podemos perceber uma grande incidência da cor preta nas suas obras. Há alguma razão específica pra isso?
Eu gosto muito do contraste provocado pelo preto em combinação com outras cores, gosto de carregar no preto para trabalhar luz, texturas e detalhes, e com o foco em arte para camisetas acabo por utilizar o preto da malha como base, removendo uma cor do processo de produção, barateando o custo para o cliente e aumentando detalhes que com outras cores não sairiam tão bem.

 

7 8 9 10 11 12 13 14

 

Saiba mais sobre o artista em sua página do Facebook e em seu Twitter

 

img_dest2

Karmann Ghia converte poder das mídias sociais em combustível

img_dest2

Roominate e o incentivo às jovens engenheiras