Jonathan Harris

por Zupi

Jonathan Harris é um artista americano que combina computação e artes visuais, de modo reflexivo sobre a sociedade atual. Para Jonathan, a internet e a tecnologia dominam o ser humano a ponto de prejudicá-lo.

Estas ferramentas geralmente são enxergadas de modo que possam resolver qualquer problema, mas na verdade acabam decepcionando quem espera por soluções.

Um trabalho interessante de Jonathan foi o Time Capsule, realizado em 2006, junto ao Yahoo!. O projeto juntou dez temas – amor, arrependimento, ódio, fé, beleza, diversão, passado, esperança, agora e você – e pediu que as pessoas respondessem perguntas relativas a eles com palavras, imagens, vídeos, músicas ou desenhos.

A proposta é de que a “cápsula do tempo” fechasse naquele ano e abrisse novamente em 2020, possibilitando uma comparação entre as duas épocas.

Alguns projetos de Jonathan estão expostos na II Mostra 3M de Arte Digital, que você pode conferir no Memorial da América Latina até o dia 3 de outubro. Conheça mais do artista na entrevista a seguir:

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Tela do “Whale Hunt”, no qual Harris foi caçar baleias com esquimós do Alaska e, durante sete dias, tirou fotos a cada 5 minutos da aventura.

[Zupi] Para começarmos a entender mais do seu trabalho, por que seu site chama-se Número 27 (Number 27)?

27 é um número importante na família da minha mãe, além de estar muito presente na minha vida, incluindo meu aniversário (27 de agosto). Eu também gosto muito de propriedades matemáticas.

[Zupi] Desde quando você utiliza a Internet e percebeu que ela podia ajudá-lo no processo criativo?

Eu comecei com pinturas a óleo, mas também estudei ciência da computação na faculdade. Assim, eu tento achar meios de combinar computação com o processo criativo.

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Telas do projeto Time Capsule, no qual as pessoas digitavam o que mais amavam, odiavam ou tinham esperança que acontecesse no ano de 2006.

[Zupi] Como você interpreta a importância da Internet para o ser humano? Você acha que nós devemos tomar cuidado com seu tamanho, assim como sua expansão?

A web ajuda nossa espécie a entender que somos um só organismo interconectado, com uma consciência coletiva. Mas também somos indivíduos e não podemos nos esquecer que possuímos corpos físicos e que estamos vivos, podemos fazer escolhas, nos mover, realizar ações e viver.

A vida é curta, estranha, bonita, misteriosa e preciosa. Nós devemos ser cuidadosos para não desperdiçá-la desaparecendo na realidade virtual.

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“Just Curious” é um projeto no qual as pessoas podiam criar uma pergunta no site quando respondessem outra, totalmente anônimas.

[Zupi] Em seus trabalhos com a Internet, quais referências você utiliza? Quando há um tema mais profundo ou reflexivo, você se baseia em algum autor ou filósofo contemporâneo?

Eu acho que as ideias de Thoreau sobre intencionalidade e moderação na face do “progresso” são inteligentes e atemporais. Recentemente eu li Technopoly de Neil Postman, que é uma excelente e sóbria visão sobre o que a tecnologia realmente faz com a humanidade.

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O projeto “We Feel Fine” encontra cada expressão que contenha as palavras “I feel” em entradas de blogs, reunindo o sentimento de várias pessoas em uma nuvem de bolas coloridas, cada cor representando uma emoção.

[Zupi] Sobre o Time Capsule com o Yahoo!,  quais são suas expectativas quando o projeto for reaberto, em 2020?

Nenhuma expectativa.

[Zupi] O que você recomenda para os novos artistas que desejam utilizar a Internet nos seus projetos?

Eu recomendo que eles não apenas perguntem “como?”, mas também “por quê?”. Há um senso predominante de exuberância tecnológica e um sentimento que a tecnologia pode resolver qualquer problema.

Entenda que tecnologia não resolve. Ela pode redirecionar aos problemas, mas faz isso mudando a natureza do sistema no qual o problema se localiza, o que traz novos e diferentes problemas. 

Você não pode simplesmente “melhorar o mundo” utilizando tecnologia, você consegue apenas aumentar sua complexidade.

Assim, devemos nos aproximar de inovação tecnológica com uma mente clara sóbria, restrita e humilde.

Pergunte-se constantemente: é isso realmente o que queremos? Isso é necessário? Precisa ser complexo ou pode ser mais simples? Isso realmente ajuda as pessoas nas suas vivências ou é só mais um artifício?

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Quando Harris fez 27 anos ele começou o projeto “Today”, em que ele tirou uma foto aleatória para cada dia que se passava.

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O site “Word Count” mensura a utilização de palavras da língua inglesa, encontrando e fazendo um ranking das palavras mais utilizadas em blogs e sites da web.

O que você achou do artista? Que tal conhecer mais trabalhos dele? Veja em seu site: Jonathan Harris

Exposição: II Mostra 3M de Arte Digital

Quando: de 03 de setembro à 02 de outubro

Onde: Memorial da América Latina

Galeria Marta Traba – Av. Auro Soares de Moura Andrade,664, Barra Funda – São Paulo

Horário de Visitação: de terça a domingo das 9h às 18h

Quanto: Entrada Gratuita

Aldo Fernandes

Mestre das Montagens